Domingo , 16 Junho 2019
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Diagnóstico precoce evita mortalidade infantil por anemia falciforme

A anemia falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil, em especial entre a população afrodescendente. Entre 25 mil a 50 mil pessoas possuem a doença no País. Uma modificação genética faz com que as hemácias (glóbulos vermelhos) tenham um formato semelhante a uma foice, o que dificulta a oxigenação do corpo e pode obstruir os vasos. Para divulgar e conscientizar a população sobre a doença, é celebrado nesta sexta-feira (27) o Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes. Atualmente, o diagnóstico pode ser feito já no nascimento, com o Teste do Pezinho (Programa Nacional de Triagem Neonatal). Com base na testagem, estima-se que uma a cada 1 mil crianças nascidas vivas tenha anemia falciforme.Os sintomas podem começar ainda na infância. Os mais comuns são anemia, dores fortes, infecções frequentes, acúmulo de sangue no baço e icterícia (pele e parte branca dos olhos amareladas), além de risco aumentado de acidente vascular cerebral (AVC). Nas crianças, a primeira manifestação de dor pode vir com inchaço nos tornozelos, nos punhos, nos dedos ou nas articulações (dactilite), e elas têm risco de infecção 400 vezes maior. Devido à anemia, os adultos podem se sentir cansados e indispostos. Além das dores difusas, podem ter comprometimentos crônicos nos rins, coração, fígado, pulmões, retinas e úlceras nas pernas.

Tratamento

“A anemia falciforme é uma doença sistêmica que compromete todo o organismo. Mas hoje tem como melhorar muito a qualidade de vida do paciente com o tratamento”, explica a especialista Sandra Loggetto, coordenadora do Comitê de Hematologia e Hemoterapia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Ela ressalta a importância do diagnóstico precoce, que evita a mortalidade infantil: além de vacinas a mais, as crianças com a doença fazem tratamento preventivo contra infecções com o uso prolongado de antibióticos. Todos esses cuidados são oferecidos na rede pública gratuitamente. “Existe também a hidroxiureia, medicação fornecida pelo Ministério da Saúde, que tem um protocolo específico e controla muito as dores. É importante que os médicos fiquem atentos, para que não se perca o tempo de entrar com a medicação e melhorar a qualidade de vida”, esclarece a médica, lembrando que a anemia falciforme é uma doença que ainda está sendo estudada, já que antigamente a mortalidade infantil era alta. “Tudo que se tem evoluído hoje em relação ao tratamento faz com que os pacientes atinjam a idade adulta, mas é um paciente que merece muito cuidado no atendimento. E temos de investir no tratamento das crianças, para que elas possam crescer e não tenham a complicação dos adultos que não tiveram acesso à hidroxiureia”, completa Sandra Loggetto. Com informações do Portal Brasil.

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