Quarta-feira , 5 Agosto 2020
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Mulher morre após cair de carro em movimento; família acusa companheiro

A empregada doméstica Rosilene de Souza, 42 anos, morreu na última sexta-feira (17), 40 dias após cair de um carro em movimento em Salvador. Ela estava internada desde o dia 9 de dezembro no Hospital Geral do Estado (HGE). A família acredita que a vítima foi empurrada para fora do automóvel pelo companheiro.

Rosilene estava na UTI do hospital desde o dia 10 de dezembro. Na última quinta (16), ela foi transferida para a unidade semi-intensiva de atendimento, onde morreu no dia seguinte.

A filha da vítima, Sara de Souza, 25, conta que a mãe vivia um relacionamento abusivo e doentio. De acordo com ela, Rosilene era frequentemente agredida pelo companheiro. Os dois se conheceram no Carnaval há nove anos e moravam juntos há cerca de seis, no Engenho Velho de Brotas.

“Ela passou a não viver sem ele. Ele se aproveitava disso, tirava dinheiro e paz dela”, conta.

A família foi informada do ocorrido pelo próprio companheiro de Rosilene, mas acredita que ele mentiu sobre o que realmente aconteceu. “Ele dá varias versões diferentes. Uma hora ele fala que ela estava na parte de trás do carro porque tinha desmaiado do nada. Outra hora, ele conta que ela estava brigando com ele, quando abriu a porta do carro e se jogou”, relata a filha.

Ela explica que não teve acesso à versão de Rosilene porque ela já chegou ao hospital desacordada. No momento da queda, a rua estava vazia e, sem testemunhas, resta apenas o relato do companheiro da vítima.

“Ele ainda visitou ela alguns dias no hospital no começo, mas depois não foi mais. Ele seguia a vida normal, foi até à Lavagem do Bonfim como se nada tivesse acontecido”, afirma Sara.

Ainda segundo a jovem, as agressões eram constantes. Rosilene já teria fraturado o braço e desmaiado várias vezes devido à brutalidade com que era espancada. “Ele até já tentou atropelar ela, mas os vizinhos impediram”, completa a filha.

Agressões
A vítima nunca prestou queixa dos casos e não gostava de comentar o assunto com a família. Quando Rosilene foi internada, foram os familiares quem prestaram queixa contra o companheiro dela.

Na sexta-feira (17), Sara voltou à delegacia após ela mesma ter sido agredida pelo homem, mas não concluiu a queixa por ter sido informada que teria que ia ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O problema é que ela precisava providenciar os documentos pra liberar o corpo da mãe.

“Eu fui na casa da minha mãe buscar as coisas dela e uma roupa para o enterro. Quando eu cheguei lá, eu disse que ele era o responsável pela morte dela. Então, ele me deu um murro no peito e me jogou conta a parede. Eu tentei usar um pedaço de madeira para me proteger, mas ele pegou e me bateu no braço com a madeira”, relembra.

A vítima trabalhava como empregada e sustentava a casa. Por vezes, segundo a família, o companheiro utilizava todo salário de Rosilene para jogar e beber e ela não conseguia pagar as contas. “Quando ele queira, ele fazia alguns serviços de ferreiro. O dinheiro sempre ia para o jogo, ela não via um tostão”, diz a filha. “Agora, ele começou a vender as coisas da casa que eles moravam. Tudo foi ela quem comprou”, completa.

Jogo
Um vizinho, que não quis ser identificado, endossou a afirmação da filha de Rosilene, de que o companheiro usava o dinheiro da mulher para jogar em máquina caça-níquel. “Todo mundo via a briga, ele batia sempre nela. Ela só prestava para ele no final do mês, que era quando ele pegava a grana dela gastar tudo no caça-níquel”, diz.

O vizinho ainda relata ter encontrado com o homem, que aparentava estar abatido. Já outro morador da região afirma que o suposto autor da agressão não estava muito impactado com o caso. “Ele não tava triste, ele tava é feliz porque ele nem foi visitar ela direito quando ela estava internada”, conta.

Para os vizinhos, ele relatou que estava em um bar com Rosilene, quando os dois começaram a brigar. Então, eles voltaram para casa, mas ela teria se jogado do carro. Ele afirma ter colocado ela de volta no banco de trás uma vez, mas ele se jogou de novo e bateu a cabeça na porta. Então, teve que ser socorrida para o HGE.

A vizinhança era testemunha da briga dos dois. A situação piorava quando algum dos dois bebia. “Ela batia no carro dele, já quebrou vidro de carro dele e o para-brisa. Quando ele ia sair para se divertir, ela se jogava na frente do carro e já acelerava se ela não saísse”, diz.

O CORREIO tentou localizar o companheiro de Rosilene, mas não obteve sucesso. Moradores ainda apontam que ele fugiu da região e teve o carro apreendido nesta semana.

(Correio)

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